Três anos se passaram desde aquele voo da Easyjet atrasado do fim de tarde para a noite, da chegada ao Hotel nos arredores do aeroporto dos arredores da cidade, com a casa às costas, depois de o cansaço ter esgotado a paciência para sorrir para a incompetência de agentes de emigração arrogantes e carrancudos.
Muitas mudanças e novidades se têm desde então atravessado nas nossas vidas, e se por vezes a jornada parece ter um sabor amargo, é doce o sabor de cada vitória e recompensadora a sensação do acumular de conhecimento.
Indubitávelmente são muitas as saudades que sinto todos os dias. Sinto falta do carinho da minha mãe, da animação do meu pai e da cumplicidade do meu irmão, como seria bom te-los à minha volta. Queria isso e o calor das amizades, estalar um dedo, desintegrar o tempo e desvanecer o espaço, ultrapassar a melancolia de recordar as cores e os cheiros, os sons e os sabores, queria a lua e o sol.
Mas deixo-me de divagar que tenho pressa! E porque tenho no calor dos abraços e no doce dos beijos do meu marido o conforto de estar cá; no olhar doce e nas gargalhadas alegres das minhas garotinhas a energia de continuar a explorar, sabendo que todos os dias algo de bom acontecerá; e no orgulho de ser bem sucedida num curso que representa mais um bocadinho de mim a realização de perseguir o que gosto e que me continua a empurrar para querer mais de mim.
Continuamos a ser nós mas chegamos diferentes. Eramos nós, um amor e uma aventura; agora somos Nós, o amor e a vida.
Aprendi coisas com que nunca tinha sonhado, vi coisas que jamais teria esperado, aprendi qual o verdadeiro significado de multicultural. Conheci pessoas diferentes, outras culturas, ouvi e aprendi algumas palavras em muitas outras linguas, algumas que confesso que antes nem sabia que existiam. Passamos por diversas experiencias de vida que apesar de não nos definirem por completo foram contribuindo para nos moldar, e continuamos a ver a nossa viagem sempre a melhorar. Seguimos a nossa natureza humana, somos ambiciosos, queremos sempre mais e assim desenhamos a evolução da nossa história.
Não é nem tem sido fácil, mas vale cada lágrima derramada, isto que é a vida. E por entre as brumas da memória, para a frente e para trás, não há afinal qualquer atraso!